terça-feira, 4 de outubro de 2011

Participei do "Construindo um Sonho" do SBT - Parte 1


Participei do quadro “Construindo um sonho” do Programa Domingo Legal do SBT e vou compartilhar com vocês tudo o que acontece de verdade nos bastidores do programa. Vou dividir em vários posts pois a história e longa...
Depois tirem suas próprias conclusões...
Tudo começo no dia das mães de 2009 quando eu estava assistindo o programa com minha avó e ela se emocionou muito com a entrega da casa que passou na tv. Vendo ela chorar de emoção resolvi na mesma hora, aproveitando o calor da emoção escrever. Na época o apresentador do programa era o Gugu.
Eis a carta escrita em 2009:
 Querido Gugu.
 Hoje ao assistir o seu programa resolvi te escrever, pois o quadroConstruindo Um Sonhome fez  acreditar que meu sonho pode se tornar realidade. Te escrevo Gugu para presentear minha avó Marina e minha mãe Lúcia Helena, para deixar meu coração mais tranquilo e por isso vou te contar um pouco da nossa vida.
 Minha avó Marina tem 79 anos é nascida e criada aqui. Se casou jovem e meu avô construiu esta casa para eles; foi a 2ª casa construída no bairro (centro comercial) em 1950 e até hoje nunca foi reformada. Foi aqui que minha avó criou os 4 filhos praticamente sozinha, pois meu avô a abandonou por outra mulher quando os filhos eram criancinhas.
 Trabalhadora, de infância dura e muito pobre, minha avó batalhou muito para poder educar e dar de comer a eles, mas o destino foi cruel com ela, quando ainda era bem jovem com os filhos pequenos ela pegou tuberculose e quase morreu, para piorar as coisas ela era alérgica ao único remédio que tratava a doença e numa tentativa desesperada o médico optou por realizar uma cirurgia que retirou o pulmão doente, mas para isso retiraram também oito costelas, afastaram seu coração e assim retiraram o pulmão doente inteiro; com isso minha avó ficou deficiente física, sua coluna envergou e ela ficou um poucocorcunda. Hoje minha avó tem apenas 20% da capacidade respiratória pois o pulmão que restou está enfraquecendo, seu coração está inchado, muito maior que o normal, é cardíaca, hipertensa e faz uso diário de vários medicamentos que consomem quase todo seu beneficio do INSS. Mesmo diante de tantas dificuldades, continuou trabalhando, seu ofício era de cozinheira e que cozinheira Gugu...!
 Nossa casinha tem 55 anos e nunca foi reformada, os concertos é a minha mãe quem faz e sempre fez, pois não temos dinheiro para reformas. A casa está muito velha, com as paredes úmidas e mofadas, o reboque está caindo, o forro está apodrecendo por causa dos cupins, a rede elétrica é muito antiga já apresentou vários curtos, e o esgoto vive entupindo e a coitada da minha mãe é quem desentope, o muro também nos da muito medo, pois o muro apresenta rachaduras, vazamento de água por conta das infiltrações e esta com umabarriga imensa, ameaçando cair.
  Eu e minha mãe morávamos nos fundos da casa da minha avó numa casinha até o ano de 2000, quando choveu demais e ela caiu; até que tentamos construir uma nova, mas infelizmente não tivemos dinheiro para terminá-la. Então minha avó nos acolheu em sua casinha onde moramos até hoje. A casinha tem 1 quarto, 1 sala, 1 banheiro e 1 cozinha, é muito pequenininha, quase não cabe nossas coisas, é tudo encaixotado, empilhado, não cabe muita gente, com 5 pessoas adultas a casa já fica lotada e sem espaço, nas festas, páscoa, natal, ano novo, nunca é aqui porque não cabem as pessoas.
 O telhado da nossa casa nos preocupa demais, é muito velho, está cheio de cupins e range a qualquer vento mais forte; os tijolos da estrutura do telhado estão caindo, e uma vez o barulho foi tão grande que precisamos chamar o corpo de bombeiros para olhar o telhado e dizer o que tinha acontecido por lá.
 Minha avó é uma velhinha esperta, apesar das limitações, esta quase cega da vista esquerda e estamos aguardando na fila uma cirurgia de catarata para ela pelo SUS, mesmo assim cozinha para nós, cuida dos nossos dois cachorros que ela chama de companheiros com quem ela conversa bastante e se distrai, recebe suas visitas, pois minha avó é muita conhecida na cidade, porém ela não pode andar, pois se cansa e tem falta de ar facilmente.
 Minha mãe é funcionária pública estadual, recebe o menor piso de sua categoria por mês, tem 48 anos de idade, tem problemas sérios de coluna tem osteoporose, lordose, e um problema crônico na coluna lombar que dificulta que ela possa caminhar sem dores, é valente, brava, sincera, mas não pode fazer mais por nós financeiramente pois o que recebe fica com as despesas de transporte de seu trabalho, a compra e as contas do mês, não sobra nem um pouquinho porque até hoje paga por um empréstimo consignado no banco de quando estávamos tentando construir a casinha dos fundos.
 Eu me chamo Melissa, tenho 30 anos, sou funcionária pública municipal, recebo um salário mínimo por mês. Em 2006 adoeci gravemente, tive duas paradas cardíacas, por conta de uma endometriose pulmonar e um tumor no ovário que quase me tirou a vida, por causa disso não posso ter filhos, foi o 2º caso no Brasil e o 8º caso do mundo desse tipo de doença, passei por uma grande cirurgia, gastamos demais com internações e remédios que o SUS não cobria e até hoje pago os empréstimos daquela época. Estou noiva de um rapaz muito bom, ele é maravilhoso, nos ajuda em tudo que pode, esteve ao meu lado em todos os momentos de dificuldades e vamos nos casar provavelmente o ano que vem, mas ele não mora na minha cidade, ele trabalha há muitos anos numa fábrica em no Vale do Paraíba, e mora no Vale também, então vou morar lá, mas meu coração dói Gugu de deixar minha mãe e minha avó nessa situação...
 Nossa vida é muito difícil Gugu, temos muitas dívidas, infelizmente decorrentes dos fatos que narrei acima, o custo de vida nessa cidade é muito alto. Nossa casa é motivo de comentário dos vizinhos e de quem passa pelo bairro, pois é a única casa feia, pobre e velha da rua.
 Gugu, a vida foi bastante dura conosco, somos muito unidas e amigas, mas mesmo unindo nossas forças nunca vamos ter dinheiro para construir o que lhe pedi, e ao ver a minha avó assistindo seu programa chorando e se emocionando com o sonho dos outros eu queria que ela se emocionasse com o próprio sonho realizado, e sei que posso contar com você, venha nos fazer uma visita, tomar um café bem gostoso e ver com seus próprios olhos como é a nossa casinha.
 Obrigada por me ouvir, obrigada antecipadamente por tudo que você faz por esse povo tão sofrido e cheio de esperança como eu. Que Deus te abençoe e todas as pessoas que trabalham com você.
Melissa de Assis 
Junto com essa carta que escrevei a mão, enviei algumas fotos que vou colocar aqui para vocês.

























Enviei muito mais fotos, mas não vou colocar todas aqui, pois são de detalhes de dentro da casa, mas nas pŕoximas postagens vou acrescentado os detalhes.
Pois bem, as cartas não são sorteadas como muitas pessoas pensam, elas são escolhidas. O SBT tem uma equipe que lê todas as cartas que chegam lá, parece impossível? mas é verdade, eu conheci pessoalmente o senhor que leu nossa carta e as que eles acham interessantes, com histórias com bom teor para o quadro são escolhidas. 
Por hoje vou deixar assim, pois esse post vai render... rsrsrsr
Depois continuo a aventura.
Até mais!

Um comentário:

  1. Nossa! A pessoa participou do quadro e dá a entender que há algo errado? Complicado entender o ser o humano... Considero justas as escolhas por histórias. Assim, quem realmente tem urgência quanto a realização de um sonho, como a construção de uma casa, tem muito mais possibilidade de ser ajudado.
    O que pode render nisso? A conduta da emissora é digna de aplausos!

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